Leio que o Supremo Tribunal Federal (STF) comprou na semana passada um sofá de dois lugares por R$ 10.650,00. A aquisição foi feita na véspera da posse do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O mobiliário tem a seguinte descrição: “sofá de dois lugares com duas almofadas soltas e revestimento fixo, totalmente em couro natural, medindo 230x100x85cm, altura do assento ao piso de 42.0 cm, cor preta.O preço pago pelo STF na compra do sofá poderia ter sido ainda maior, pois o pregão eletrônico, estimava o valor da compra da mobília em R$ 20,5 mil. Diz a noticia que sete fornecedores participaram da licitação e o ganhador foi a empresa Ronelito da Costa Pinto.Comento este fato aqui porque achei muito caro o preço pago pelo STF por um simples sofá, a não ser que eu esteja desatualizado quanto a preço de móveis do estilo do que foi comprado, mas pela foto que foi divulgada, o estofado não vale mesmo o preço que foi pago.
O próprio ministro presidente do STF Gilmar Mendes criticou por ocasião de sua posse no Conselho Nacional de Justiça a construção de novas sedes para o Poder Judiciário e defendeu certos critérios para as obras, dizendo ainda que em alguns casos pode estar havendo excessos.
No caso da compra do sofá por mais de dez mil e de duas mesas de reunião que foram compradas no mesmo pregão por R$ 12,2 mil, certamente que houve excesso.
Claro que pobre não pode ter um estofado desta categoria, senão teria que financiar em vários anos e ficar pagando prestação e como o móvel tem garantia só de 5 anos conforme a informação do fabricante, quando acabasse de pagar, já não teria mais o conforto que o mesmo pode proporcionar, sem falar que pelos juros praticados pelas financeiras, comprar um bem deste valor e financiar em 48 meses, as prestações giram em torno de 420 reais.
Se você acha caro que o STF tenha pago este preço todo por um simples sofá é porque não sabe que o mesmo STF gastou no ano passado R$ 2 milhões apenas com o mobiliário em geral. Já a União(Executivo, Legislativo e Judiciário juntos) gastou R$ 328,9 milhões com o mesmo item.
Estes gastos da União com a compra de mobília em geral foi superior, por exemplo, aos gastos do Governo Federal com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil em 2007 que foi de R$ 274,3 milhões.
Assim, gastar mais R$ 22.850,00 com um estofado e duas mesas de reunião não é mesmo nada.