quinta-feira, 10 de abril de 2008

VOU-ME EMBORA PRÁ PASÁRGADA

Vários prefeitos de Minas Gerais foram noticias nos principais órgãos das diversas modalidades de imprensa do pais esta semana, e a razão da divulgação nada tem a ver com as eleições de outubro deste ano.
Um sofisticado esquema de desvio de dinheiro público foi descoberto pela Polícia Federal envolvendo dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM. Esse fundo, formado pela arrecadação de impostos é destinado a distribuir verbas justamente às cidades com maior dificuldade de arrecadação. Calcula-se que o prejuízo dessa falcatrua tenha chegado aos R$ 200 milhões.

Os prefeitos não agiram sozinhos. Participavam do golpe magistrados, advogados, procuradores e até os chamados lobistas, que agiam em Minas Geraos, Bahia e Distrito Federal. A se confirmarem as suspeitas, pode-se dizer que a sofisticação do esquema de fraude é digna de comparação com o melhor estilo das máfias italianas. Mais de 40 pessoas dividiam o bolo, em óbvio detrimento dos serviços públicos desses municípios.

Como é de se imaginar, a certeza da impunidade é o principal ingrediente para esse tipo de prejuízo aos cofres públicos.A gente fica esperando que um dia a coisa seja diferente, mas estamos acostumados a crer que tudo no fim fica do mesmo jeito.Não se tem notícia no Brasil de algum gestor público que tenha passado vários anos na cadeia por causa de crimes cometidos no exercício da função. O cipoal de recursos jurídicos que a legislação brasileira permite faz com que esses processos se eternizem nos gabinetes das diversas instâncias do Judiciário. Tem ate um ex-prefeito aqui de Ipatinga que ja tem acumulada obrigação de devolver aos cofrer públicos mais de 20 milhoes, dinheiro que jamais vai entrar nos tais "cofres publicos". Parece que tais cofres nao tem dono, porque se tira dele e ninguem quer devolver. Voltando ao caso presente,
a operação da PF foi chamada de Pasárgada, lugar mitológico grego utilizado pelo poeta Manuel Bandeira em sua obra, que ele imaginou como «um país de delícias», onde a pessoa se sente bem e pode realizar os seus desejos,nos versos que diz:
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá Sou amigo do Rei
Lá tenho a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
Tem um processo seguro
de impedir a concepção
Tem Telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Prá gente Namorar...

Seria o Brasil este lugar imaginário do poeta pernambucano?

Nossa vizinha Timóteo, aqui no Vale do Aço, acostumada a ser noticia porque trocou diversas vezes de prefeito em pouco mais de um ano, está entre as cidades cujos prefeitos são acusados de fazer parte da quadrilha. Acusados não, porque a gente não pode pensar que estes espertalhões sejam inocentes porque a Policia Federal ficou meses investigando e formando a rede de ações desta quadrilha.Temos que crer, apesar do direito universal de defesa que todo cidadão tem, que envolvimento no caso denunciado eles têm, porque senão a PF não ia sair prendendo este montão de espertalhões no mesmo dia, com mandado judicial que atingiu ate Juiz.

Geraldo Nascimento parece que vive mesmo seu inferno astral. Depois de ser acusado nos processos que por pouco não o tiraram do cargo máximo da cidade,ou melhor, tiraram duas vezes mas depois lhe deram de novo, agora preso pela Policia Federal. Difícil a gente imaginar um prefeito preso, um juiz preso. Imaginem a cena de um delegado prendendo um juiz ou um prefeito!

Mas Timóteo está muito bem acompanhada em se tratando desta operação Pasárgada, porque tem município importante no meio deste rolo, se bem que isto não é nenhuma vantagem para a cidade.

Fatos lamentáveis estes agora revelados pela PF, mas convenhamos duvidar da capacidade da nossa ora capenga, ora eficiente justiça, é muito arriscado. Batman, o super-herói favorito de meu filho Matheus de 5 anos é que está certo quando diz que o crime não compensa e que mais cedo ou mais tarde a pessoa acaba caindo nas garras da Justiça.

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