Tem bastante tempo que se fala em duplicação da BR 381, rodovia que liga as cidades de Governador Valadares a Belo Horizonte. É uma estrada que parece ter sido construída a partir de antigo traçado utilizado por transporte mais rudimentar quando veículos de tração animal era a única forma de locomoção. Pois bem, Minas e especialmente a região servida pela 381 é muito montanhosa e a estrada foi construída desviando das montanhas por certo pelo alto custo que implica a construção de um traçado reto para a via.
Os anos têm passado e a tal de duplicação nunca sai do papel e agora que surge uma luz no fim do túnel e podemos vir a ter uma estrada decente, os políticos estão querendo atrapalhar tudo. (Político são como os guardas de trânsito que as vezes ajudam mas tem hora que atrapalham também). Os que estão contra não estão preocupados com a população e sim com a possibilidade de obter ganhos políticos ao defender alternativa que todo mundo sabe que será muito mais difícil de ser viabilizada.
Para se ter umas idéias mais claras da questão, tramitam no Governo dois projetos diferenciados para por fim aos acidentes da BR-381: um na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e outro no Departamento Nacional de Infra Estrutura Terrestre (DNIT). O projeto da ANTT prevê a entrega imediata à iniciativa privada do trecho norte da rodovia, com extensão total de 290 quilômetros. A empresa vencedora se encarregaria de promover a modernização da pista e estaria autorizada a cobrar o pedágio de imediato. O edital do leilão já está em andamento e em breve as obras começariam, mas também começaria a cobrança de pedágio para os aproximadamente 15.000 veículos que circulam todos os dias na rodovia.
Nem vou entrar no mérito do valor que seria cobrado, porque tudo que é bom custa caro mesmo.
Já o outro projeto prevê que a rodovia seria duplicada dentro dos recursos previstos pelo PAC-Programa de Aceleração do Crescimento e que o pedágio seja cobrado após a conclusão da obra, estimada em seis anos, com valor estimado em um bilhão e novecentos e cinqüenta milhões de reais.
A Polícia Rodoviária Federal registrou 2.709 acidentes, com 138 mortes apenas no ano passado neste trecho da rodovia. Repito: 138 mortes.(uma a cada três dias)
Bem, todo mundo sabe que a duplicação da 381 é promessa de décadas e este projeto do PAC como a maioria dos outros deste famigerado programa de aceleração do crescimento é eleitoreiro. O mandato do Lula está no fim e não daria tempo para se concluir a obra antes dele apear do poder, então a obra da 381 ficaria apenas na promessa e os usuários da rodovia continuariam, uns morrendo, outros ficando paralíticos, outros que não se envolvessem em acidentes, tendo que ficar quatro horas e meia para transpor os 220 quilometros que separam o vale do aço à capital, correndo todo tipo de risco.
O projeto cujo leilão já esta em andamento é sem nenhuma sobra de dúvida o mais viável e os políticos que estão contra deveriam refletir melhor e tentar aparecer apoiando a iniciativa de entregar a rodovia à iniciativa privada. Apesar da cobrança do pedágio ser cara, só vai pagar quem passar por ela, e quem trafegar por uma estrada moderna como há muitas em São Paulo, certamente que paga caro para estar em segurança e conforto. Eu pagaria para ter certeza de que em pouco mais de duas horas viajaria de Ipatinga a Belo Horizonte.
Se dificultar para a futura concessionária tirando o atrativo que seria a cobrança do pedágio imediato, corremos o risco de não ter interessado no leilão. A reforma da estrada é cara, quem já viajou a BH conhece o tanto de curva e montanha que tem a estrada. Obra de estrada, principalmente em região montanhosa como esta, é cara mesmo, logo, a iniciativa privada só se interessaria pelo negocio se tiver a possibilidade de lucro que é o objetivo de todo empresário.
Esperar verba do PAC da ministra Dilma é a certeza de que não teremos estrada boa nunca. Mas para os políticos uma estrada com conforto e segurança não serve para nada porque não é palanque de campanha e alem do mais eles viajam é de avião com a passagem paga pelo povo que nos automóveis, caminhões e ônibus corre o risco de perder a própria vida.
Este trecho da rodovia é ótimo cabo eleitoral. A promessa de duplicação já elegeu muito deputado.
Portanto, políticos que estão contra o projeto da ANTT: reflitam e mude o discurso. Estejam defendendo o povo apoiando projeto que seja executável porque caso contrário o tempo se encarregará de provar que os senhores estão na contra-mão.
Não abro mão de minhas convicções. Sei que incomoda a alguns mas gosto delas.
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